Passeio Mértola até Vila Real S. António

A ideia desta volta (Mértola até Vila Real S. António o mais junto ao Rio possível) surgiu há muito tempo, talvez quando comprei a bicicleta de estrada, mas o tempo foi passando e a ideia ficara sempre guardada na gaveta. Sempre não, ficou guardada até hoje!

Ontem fiz os preparativos para não perder muito tempo hoje de manhã. Equipamento pendurado na cruzeta fora do guarda-fato, capacete pendurado, luvas+óculos+fita FC em cima da mesa do computador, GPS a carregar durante a noite numa das portas USB do pc, bidons de água (cheios) no congelador. Um ritual que se repete a cada volta. “Cansativo” mas essencial para não se perder muito tempo no dia da volta.

Hoje acordei por volta das 7 da manhã, despachei-me como habitual, preparei a mochila com a alimentação a levar, óculos metidos, luvas calçadas, mochila às costas e colete refletor por cima desta e estava pronto para sair de casa rumo ao Algarve.

Eram 7:30 em ponto quando comecei as pedaladas. O dia estava fresco, ideal para iniciar estas voltas grandes. O início, como costumo passar com alguma frequência tornou-se monotono, dava para apreciar o início do dia, ver as sombras, o “acordar” da bicharada. Passei o Álamo e Espírito Santo e eis que surgiu um imprevisto que me deixou apreensivo. Semanas antes tinha deslocado a Beja afim de fazer um bike fit e como é sabido, foi desmontado o meu guiador para se montar uma ferramenta de medida e depois, novamente colocado o meu guiador. Depois das afinações o aperto dado não foi o suficiente tanto que pouco depois de ter passado o Espírito Santo é que me apercebi disso… E apercebi-me porque o guiador entortou! Não caí porque… Estava perto do Espírito Santo😛 Agora mais a sério, não houve nenhum acidente porque não calhou, o guiador como disse entortou, consegui parar e tive que apertar os parafusos todos daquela zona.

Após esta paragem forçada e imprevista segui rumo. Os km’s iam passando juntamente com as horas e o movimento rumo ao Algarve já começava a ser notório. Não tardou muito para que chegasse à divisão do Alentejo com o Algarve, a Ribeira do Vascão. Quem conhece, a subida (no sentido Mértola – Vila Real S. António) é bastante chata e cheia de curvas e contracurvas e de carro é chato de se fazer. À medida que me aproximava, as ideias e pensamentos era que a próxima subida seria difícil, um pouco agressiva e com as curvas, juntamente com o trânsito, faziam-me recear esses km’s.
Passei a ponte e comecei a subir. Afinal não era assim tão difícil, ou pelo menos às primeiras pedaladas não. Passou um carro ou outro por mim e aqueles medes/receios que tinha iam-se dissipando. Findo a longa subida cheia de curvas olhei para trás e a expressão “a montanha pariu um rato” fez todo o sentido! É mais a fama que a rama. Normal que tivesse tido algum receio, não tanto pela subida, mas sim pelas curvas apertadas e algum trânsito a passar, no entanto a subida faz-se bem. Já apanhei muito piores!

Estava então no Algarve e com quase metade do caminho e já percurrido. Após passar Santa Marta passou por mim a minha nova família, iam passar o dia em Vila Real. Cumprimentaram-me, eu respondi e continuei a minha jornada. Tal como planeado, virei em direcção a Alcoutim para evitar o trânsito da IC27. Na zona das Cortes Pereiras a paisagem era-me familiar, tinha percurrido aqueles trilho há quase um ano quando fiz a travessia da Via Algarviana. Das Cortes Pereiras até Alcoutim foi num piscar de olhos, as duas localidade estão bem próximas e o caminho é todo a descer, descida essa que fazia lembrar a subida após a Ribeira do Vascão.

Paragem em Alcoutim para abastecer o depósito do atleta. Paragem um pouco prolongada para descansar, comer tranquilamente a ver o movimento de Alcoutim. Olhei o GPS pela primeira vez para saber onde tinha que me deslocar. Alcoutim não tem muitas saídas mas é rara a vez que não passe por lá e que me engane! Hoje para evitar enganos, tive que olhar ao aparelho. A temperatura já começava a subir e a sentir na pele. Mochila novamente às costas e siga para o resto do caminho.

Seguindo novamente os planos, o caminho a partir daqui ia de mão dada com o Rio Guadiana. Conheço a estrada, mas a beleza do meio envolvente faz-nos abstrair de tudo, do stress acumulado e faz-nos pensar de outra forma… Resumindo, limpa o psiquico! Ora subindo ora descendo o caminho nunca se afastava do Rio e isso ajudava a ultrapassar os km’s e o calor que cada vez ia se sentindo mais. Pensava eu que mesmo junto ao Rio não fazia calor, mais uma vez enganei-me!
Fui deixando para trás algumas localidades, onde acabei por parar numa para repor líquidos. A paragem foi em Foz de Odeleite e sabia que estava próximo de terminar o passeio. Refresquei-me por dentro e por fora e novamente na estrada. Em boa hora fiz a paragem a seguir a esta localidade surgiu a segunda dificuldade (ou a primeira) do dia. Uma subida com alguma inclinação para ser feita! Esta subida não sei que percentagem de inclinação tem, mas o que dificultou mais foi o calor que se fazia sentir! Também faz calor no Algarve e não é pouco.

As subidas não ficavam por aqui! Pouco tempo depois veio a última dificuldade do dia, talvez (se não mesmo) a maior de todas, a subida para o Azinhal! Conheço esta subida, mas apenas tinha feito metade dela quando fui a um passeio naquela localidade, mas a subida toda… “Jasus”!! Esta estrada era o caminho antigo e mesmo o alcatrão nos mostrasse os danos provocados por estes anos todos, dava para circular bem lá. Fiz a subida a um ritmo confortável, afinal não tinha pressa de chegar ao destino. Novamente o calor a dar sinais de si e o bidon da água, o segundo, já estava a chegar ao meio (meio cheio ou meio vazio??) mas tinha a consciência que estava a cerca de 10km do destino.

Estas últimas pedaladas foram debaixo de um calor abrasador e a paisagem mudou de um ambiente com bastantes árvores, Rio, vegetação seca, para uma paisagem das salinas de Castro Marim e… paisagem urbana! Antes de chegar a Castro Marim, tempo para a última subida do dia, subida da localidade do Laranjeiro que, não sei porquê, pareceu-me mais inclinada do que das outras vezes que por lá passei🙂 Cheguei ao Monte Francisco e desci até Castro Marim percorrendo pouquissimos km’s da estrada que sempre evitei, o IC27.
Em Castro Marim fiz nova paragem desta vez junto aos companheiros da minha equipa que treinavam no forte desta localidade. Mais dois dedos de conversa, ainda me chamaram de maluco (no bom sentido) por esta empreitada debaixo deste calor, mas pronto… Aqui o alentejano está habituado aos calores! Refesquei-me novamente e segui para os últimos km’s desta viagem.

A recta que separa Castro Marim de Vila Real S. António estava bastante movimentada (como é normal e pior ainda nesta época do ano) e, para minha sorte, a cancela da linha do comboio estava em baixo à espera que o comboio passasse. A fila de veículos era longa, mas consegui pedalar entre a berma e os carros chegando o mais a frente possível. Cheguei a Vila Real e fui ter com a nova família que se encontrava na ponta da areia. Mais dois dedos de conversa com eles, deu para escaldar os pés por estupidez minha (o que manda ir descalço sobre a areia fervendo?) e apanhar o belo do escaldão (nem com o monte de protector solar consegui escapar).

Resumindo e baralhando, a viagem que tinha idealizada consegui realizar tal como queria. Foram no total 82km’s com 1200 de desnível positivo onde deu para não pensar no stress do dia a dia, aproveitei as paisagens. Agora no fim do dia e após o descanso é que me apercebi que hoje foi o dia bastante quente, talvez o mais quente do ano! Tal não é a pontaria que tenho…
A próxima viagem está pensada e envolve também o Alentejo e Algarve, mas a seu tempo virá.

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4º Passeio “Trilhos Terras de Pão”

Com o regresso às pedaladas, regressou também a participação nas maratonas, embora este ano a participação seja mais reduzida que a do ano passado.

O desafio desta vez foi a maratona na Salvada (aldeia localizada perto de Beja) que fez a sua quarta edição. Já tinha ouvido falar bem deste evento, sempre me inscrevi mas nunca tinha tido oportunidade de participar. Continuar a ler

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Passeio BTT: “Volta da Raia”

Foi-me lançado um desafio por parte da secção de desporto daqui da câmara municipal que consistia em guiar um passeio de BTT inserido no XIV Festival do Peixe do Rio, desafio esse que aceitei de imediato. O passeio rondava os 40km com cerca de 600m de desnível positivo. Continuar a ler

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Taça de Maratonas BTT Beja

Recentemente vi este desafio no Facebook e rapidamente chamou a minha atenção. Trata-se de um desafio que reúne 10 maratonas numa taça onde o dinheiro reverte a favor da instituição Centro Paralesia Cerebral de Beja. Com este mote, depressa comecei a seguir a página e a recolher mais informação sobre esta taça (ou se quisermos denominar, campeonato). Continuar a ler

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